sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Phrases for the Young

Tive contato hoje com álbum de Julian Casablancas Phrases for the Young, uma viagem dançante oitentista regada a batidas eletrônicas e sintetizadores. As letras e melodias lembram muito Strokes, mas sem as guitarras sujas e bateria quase que constantemente no contra-tempo.




O que mais me chamou a atenção no disco não foram as músicas, mas sim o trabalho gráfico, muito antenado com o que o disco passa: uma fusão do passado recente da música com a incógnita que ela ela será no futuro. Em minha opinião essa imagem de Casablancas exposta da capa é emblemática do paradoxo em que o cenário musical se encontra, o gramofone e o cãozinho - simbolo da toda-poderosa RCA -, os auto-falantes e o piano ao fundo todos com o layout característico do game Guitar Hero, que provoca polêmica a cada nova música adaptada para o console.

Há quem seja contra as canções transformadas em jogos, pois segundo eles a música poderá deixar de ser apreciada como vem sendo desde que passou a ser gravável. Já os que defendem o fazem porque pensam que não deve existir passividade do público perante o artista, e essa é uma das maneiras em que o ouvinte pode de fato assimilar a obra e assim se transformar de maneira mais profunda.

Não amadureci o suficiente sobre o tema para dar uma opinião, mas sim, quanto mais formas de interação com o fazer musical claro que é melhor pra todo mundo, no entanto, não é qualquer parafernália que é capaz de tornar qualquer ruído em música, música ao acaso é coisa para amadores. E sem falar de uma reportagem que eu vi na TV outro dia em que uma mãe dizia que seu filho está aprendendo guitarra com o GH, que vontade de chorar.



sábado, 19 de dezembro de 2009

O Grinch

Eu não gosto do natal! As pessoas falam que eu sou muito estranho, não tenho o humor muito bom etc. Mas ontem eu fiquei pensando, por que eu haveria de gostar das festas de fim de ano? Não tenho religião, logo, não há ritual ou cerimônia para realizar. Minha família nunca gostou do natal. Todo final de ano é a mesma coisa, as pessoas reformam as casas, a TV bombardea a gente com aquelas propagandas mega-moralistas - as da Coca-Cola e da Bauducco são ótimos exemplos. O comércio em Poá fica insuportável, se não lotado de pessoas são as caixas de som tocando os temas natalinos em ritmo de pagode, sem falar as contradições que as pessoas sempre fazem ao importar uma tradição.

O fato é que somente algumas coisas são capazes de deixar a maioria das pessoas mais felizes que dinheiro - algumas poucas coisas. Com o décimo terceiro salário na conta todos ficam mais propensos ao consumo, e o consumo é uma forma muito eficiente de levantar a auto-estima do indivíduo. Outro fator positivo para o ego é a aparência pessoal, alguém consegue um horário que não seja antes das 8:00 da manhã ou depois das 9:00 da noite em um cabeleireiro nessa época do ano? Em São Paulo tem o cúmulo do absurdo nas imediações do Ibirapuera, as pessoas em pleno domingo entopem as avenidas para ver a árvore de natal!

Sim, prefiro mil vezes a um natal sem ter que responder "feliz natal", um bom livro, uma boa música e o sono natalino!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Into The Wild


Que atire a primeira pedra quem nunca se encheu do chefe, de alguém de família, da escola, faculdade e tudo mais, pois é impossível em nenhum momento da vida a gente não querer saber de mais nada e simplesmente viver a vida de um modo mais hippie, sem tantas obrigações, já pensou não ter mais contas de nada pra pagar? Já pensou não ter que enfrentar o trânsito caótico das grandes cidades? Já pensou se munir de coisas essenciais apenas para não morrer de fome ou sede e simplesmente saira andar pelo mundo, sem rumo, sem destino, apenas conhecer?

A história do filme Into The Wild é sobre um cara que não apenas pensou e idealizou esse estilo de vida, mas o colocou em prática. Decidido a não entrar em contato com a família por causa de ressentimentos Jon Krakauer resolveu mudar de nome e assumir a identidade de Alex Supertramp. Negando uma vida baseada em qualquer tipo de relação economica Alex se embranha nos interior dos Estados Unidos conhecendo todo tipo de gente, e estabelecendo relações afetivas com todas elas, as cativava e depois seguia a sua jornada rumo à natureza selvagem no inóspito Alasca.

Todos os estudos científicos que tive notícia defendem a ideia de que o homem é um ser essencialmente sociável, ou seja, não adianta nós querermos nos isolar do mundo, é impossível viver sem um semelhante. Por mais que seja tentadora essa ilusão é impossível, e o fim de Supertramp prova, por mais que em alguns momentos o convívio social seja um pé no saco ainda precisamos das nossas anti-matérias - como diz um maluco beleza aqui de Poá.

É um filme fantástico, com a direção do talentosíssimo Sean Penn, uma narrativa na terceira pessoa capaz de emocionar a qualquer um. Conta com a trilha sonora do vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder. Recomendo.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Animação!

Uma das inúmeras coisas que eu aprendi durante a minha experiência profissional no SESC foi como ser selecionar bons filmes para crianças, só que existe um pensamento corrente de que animação é filme só para criança, uma grande bobagem! Se você notar e fizer uma pesquisa básica no Google vai notar que o pseudônimo que eu utilizo é uma homenagem ao personagem de Hayao Miyazaki

Miyazaki que é o grande mestre da animação em atividade, criador de A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, consegue passar a poesia de uma grande narrativa com relativamente poucos recursos tecnológicos, onde o que mais valeu foi o desafio de dar vida para um  ator que sai da prancheta, não há quem não veja, mesmo que por um segundo, as persongens Sofie e Chihiro como sendo reais. Com as mesmas técnicas - aliás colega de escola de cinema - só que com visão de enredo diferente o também cineasta japonês Mamoru Oshii consegue os mesmos feitos que Miyazaki quando o assunto é emocionar a plateia, no entando, recusando todo o lado de conto de fadas explorado pelo colega, um tanto mais realista Oshii me impressionou com o premiadíssimo Sky Crawlers - Eternamente na Mostra de São Paulo em 2008.

Aluguei o Up - Altas Aventuras da Pixar hoje, o filme é bom, a história é boa, mas me parecem um tanto artificial os filmes americanos. Mesmo sendo outra técnica passa aquela impressão de espetáculo, não de algo que foi feito para ser apresentado mas aquele espetáculo que acontece nos filmes de ação em que carros explodem ou dispara-se 537 mil tiros em um único filme. Existe um contorcionismo facial que na minha opinião não te deixa relaxar e ver um filme que não tem pretensão de fazer pensar que ele é uma cópia da realidade ou simplesmente ficção.

Agora tem o Avatar do "titânico" James Cameron, que pelo que eu já li a respeito se justifica somente pelos efeitos 3D, ninguém escreve sobre o enredo. Mas Star Wars também sofreu o mesmo preconceito, é ver para crer.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Todos Incentivando

Já falei aqui sobre a lei de incentivo à cultura, a Lei Rouanet. Hoje o ministro da cultura Juca Ferreira irá propor uma nova legislação que tentará fazer justiça aos que não possuem acesso aos bens culturais por motivos de ausência do Estado - digo Estado no sentido amplo da palavra, não como esfera administrativa. O Projeto de Lei (PL) a ser apresentado gerou muita polêmica desde o começo de 2009 e tem tudo para ser no Congresso uma das batalhas mais árduas desde o início governo Lula. Participei do processo de consulta pública junto com a minha turma da pós, e de fato o PL irá mobilizar o empresariado que se beneficia da dedução no Imposto de Renda de 100% do valor doado, pois as novas alíquotas fazem com que eles tenham que abrir suas carteiras, o que na minha opinião é um avanço, pois os mais ricos do país precisam se conscientizar de que responsabilidade social não é aproveitar incentivos fiscais para fazer marketing do seu negócio - ou produto - com verba pública.

A lei de incentivo à cultura não possibilita doação apenas de empresas, pessoas físicas também podem fazê-la, aí entramos em outro ponto da nossa cultura que precisa ser revista, é ridícula a quantidade de pessoas que doam para alguma causa social no Brasil. Devemos rever os nossos conceitos e acabar com o hábito de esperar que o Estado seja o único provedor dos benefícios sociais que temos direito. Vou citar os Estados Unidos, que possuem uma forte cultura de doação para instituições sem fins lucrativos, em 2003 75% dos americanos declaram ter doado dinheiro para alguma organização no ano anterior, as doações de pessoas físicas correspondem a 39% da receita total das organizações artísticas americanas. Sem falar nas doações para partidos políticos - vale lembrar que o Obama recusou a sua parte no fundo partidário de campanha, e eles não têm horário gratuito na TV.

O tema é interessante não apenas pelo fato de as pessoas terem mais acesso à cultura, mas também, por criar no Brasil ambiente favorável para que as pessoas se identifiquem com determinadas causas e passem a apoiá-las, com ou sem incentivo fiscal.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Metade

Cara metade, meia-cara, metade rara.


Cara rara, cara-a-cara, metade cara.


Metade, rara e cara.


Cara, quero pra mim!


Rara metade assim,


Encara afim


Metade de mim.

Katiúcia Morais

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Éthique

Ética, palavra incorporada ao nosso vocabulário, que pode ser definida como a disciplina que estuda os princípios da boa conduta. Estamos em plena efervescência do caso do "mensalinho de Brasília", em que o governo distrital repassava verba de campanha não declarada à bancada da base governista do parlamento em troca de apoio político. É triste que ano após ano os casos de corrupação se repitam mais que aqueles filmes que os cachorros - e também macacos - falam da Sessão da Tarde.

A meu ver a corrupção no Brasil é um mal que não sumirá do dia para a noite, talvez seja preciso que avancemos algumas gerações - não só em termos cronológicos, mas também de educação - para que tenhamos pessoas honestas nas esferas decisórias, tanto no setor público quanto nos demais. Para que alcancemos esse nível de evolução social é preciso um esforço coletivo para a mudança da nossa cultura de sempre dar um "jeitinho" em tudo, de sempre termos de levar vantagem nas nossas relações, de melhorar a nossa empatia etc.

Escrevi na 1ª pessoa do infinitivo pessoal porque eu me incluo nisso, e não adianta eu culpar a colonização portuguesa ou dar qualquer outra desculpa esfarrapada porque tenho uma causa que me motivou a falar sobre o tema: hoje no início da noite recebi um e-mail de uma professora que de forma muito educada e pedagógica aplicou uma ensaboada na turma toda por ter feito uma pesquisa do tipo Ctrl+C Ctrl+V, e nem nos demos o trabalho de analisar e editar o texto, mesmo tendo o atenuante de citar a fonte nós simplesmente nos apropriamos de textos e documentos completos sem prévia autorização e os inserimos nos textos. Há muito tempo não me sentia tão envergonhado por uma bronca de professor. Valeu a lição.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Amadeus

Há aproximadamente quatro anos atrás eu aluguei o filme Amadeus, um bigráfico do Mozart. Sábado eu o aluguei de novo e comecei a assistir ontem no início da madrugada, o disco é daquele tipo que possui mídia nos dois lados, eu muito atento olhei para o lado "A" da mídia, coloquei no aparelho e comecei a assistir, como não me lembrava do enredo do filme achei que era aquele o começo, meio sem pé nem cabeça, mas com o passar do tempo começava a ganhar um pouco de sentido. Quando a trama estava muito interessante o filme de repente acaba. Coloquei o labo "B" ao invés do A, não ficaria me sentindo tão burro se naquele lado estivesse indicando A - o que não acontecia - mas sim pelo fato de eu já ter assistido ao filme e na primeira vez ter cometido o mesmo erro!

Sou fã da obra do Wolfie, principalmente as escritas para coral, todos os concertos para trompa e fagote e sobretudo do Requiem, que mesmo eu não tendo fascínio pelo tema "morte" considero esta a sua maior obra-prima, que é explorada de forma muito inteligente no filme, tanto que parece que ele as compôs pensando que um dia iriam fazer a homenagem, tenho a trilha sonora em vinil - raridade - o filme faturou 8 Oscars no seu ano de lançamento.

O tipo de filme que você não se aborrece em ver a reprise.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Maria

Maria acorda todos os dias por volta das 10:15, levanta, lava o rosto e escova os dentes. Hoje no café da manhã tem café preto e pão com manteiga, come com calma enquanto ouve a vizinha do apartamento de cima falar para o filho arrumar a cama, imagina se ela vai ter filhos, pensa melhor e conclui que primeiro precisa de um marido.

Ao armar a tábua de passar roupas Maria se vê de perfil através do jogo de espelhos que se forma entre o espelho da porta do armário e o da parede, pensa que precisa emagrecer, mas depois avalia melhor e acaba achando que não está gorda, mas não pode ganhar mais peso. Começa a passar o seu uniforme, Maria trabalha como copeira em uma padaria há três anos, quando começou era só temporário mas acabou se acomodando e não mudou mais de trabalho. Entra às 14:00hs e trabalha até 22:00hs, não gosta desse horário mas não entra no outro turno porque não consegue acordar cedo.

Sai para trabalhar e anda apressada para tomar o ônibus das 12:40, Maria mora no subúrbio e os ônibus para o centro da cidade costumam ter intervalos de 30 minutos.