A cultura tem papel fundamental no desenvolvimento de comunidades, no entanto, para que ela alcance qualquer tipo de êxito neste processo é necessário que haja certa organização dos agentes locais, sejam eles os próprios agentes da sociedade, o Estado ou as organizações da sociedade civil (ONG’s) cuja atuação seja na área cultural, agindo separadamente ou de forma conjunta.
Independente do agente que irá promover a cultura na comunidade é necessário ter como premissa básica que, para que a ação cultural seja bem sucedida ela deve contemplar através de meios democráticos a produção dos mais variados setores da própria comunidade, privilegiar não apenas o resultado, sim o processo criativo que se refere às práticas sociais, sentimentos, atos e manifestações cotidianas dos homens. Mesmo sendo a cultura um conceito amplo, é imperativo que se busque um julgamento mais abrangente possível de inclusão, para a execução das ações cheguem o mais próximo possível dos objetivos delineados e das necessidades locais.
Os objetivos dessa promoção da cultura é que as pessoas tenham acesso à cultura universal através do estímulo à criação artística, maior fruição da produção gerada por essa criação, democratização das condições de produção, maior oferta de formação, preservação do patrimônio já existente e da memória do processo de criação, para assim tornar possível livre-circulação de valores culturais.
São três as formas para que os ideais de cultura citados acima se tornem possíveis nas comunidades: a primeira é que a própria sociedade pode tomar a iniciativa e organizar-se para tornar a produção cultural possível; a segunda é que o Estado seja o provedor da cultura, e; por último as organizações da sociedade civil, que são entidades privadas com fins públicos e podem ser peças fundamentais nesse processo. A primeira maneira pode não ser muito eficaz em um país como o Brasil, pois exige certo grau de organização dos indivíduos, além de independência econômica para que os projetos possam ser colocados em prática. O segundo dá ao Estado ferramentas que o torna referência das práticas culturais a ser colocada para a sociedade, o que pode ser perigoso, uma vez que ele pode utilizar tais práticas de acordo com suas necessidades políticas e manipular os indivíduos a partir delas. A última talvez seja a que mais se adéque à realidade brasileira, pois a organização social é a instituição que pode representar a sociedade, pois emana dela e pode também obter no Estado a sua fonte de recursos para que as atividades sejam sustentáveis.
Desta forma a cooperação entre os mais diversos setores da sociedade podem ser atores no processo de desenvolvimento local da cultura, o que é importante mais que criar novos pólos culturais é identificar as ações já existentes e partir de então potencializar para que as iniciativas prosperem, pois assim é possível através da cultura a geração de emprego e renda, além do fortalecimento das identidades culturais locais.