Outro dia vi na TV um cantor sertanejo reclamando da mudança causada pela internet no mercado cultural, segundo ele, nos anos 1990 era fácil chegar à marca de 2 milhões de discos vendidos por lançamento e que agora agradece a Deus quando consegue 200 mil. Desde que ouvi essa constatação fiquei pensando, qual seria a porcentagem que um artista ganha de fato por disco lançando? E, como é sabido que os setores intermediários da economia são os que sempre ganham mais, já imaginava que as gravadoras são as grandes beneficiadas por essa indústria, só restava saber qual a parte média que lhe pertence? Encontrei alguns dados no blog Mudernage em um artigo de David Byrne que podem ajudar a responder as questões.
O gráfico acima dá a proporção média da distribuição dos rendimentos provenientes da venda de um disco, e o artista fica com 10% de todo montante gerado pela venda, a gravadora com 11%, mas, como ela controla a maior parte do processo de produção e distribuição do disco, seus ganhos podem ser elevados. Portanto, o cantor sertanejo tem razão, é preciso vender milhões de discos para ter um rendimento considerável, já que os seus ganhos não ultrapassarão um décimo da arrecadação, e vale lembrar que a produção de um disco não é feita em tempo determinado como outros produtos de varejo, sem falar que também depende de fatores subjetivos.
Há quem diga que a salvação da indústria fonográfica está na própria internet, em sites como o iTunes e Amazon, que vendem as músicas tanto em arquivos separados do álbum como os álbuns inteiros. O sistema de remuneração nesse caso favorece o artista se o compararmos à venda de disco físico, pois ao invés dos 10% ele fica com 14% do valor da venda, a Apple com 30% e a gravadora com 56%, pra variar não foi dessa vez que ele ganhou.
No início do ano me deparei com um artigo do João Marcello Bôscoli - sim, aquele, filho deles, irmão dela - que fala sobre a nova linha de atuação da gravadora que dirige, a Trama. Já havia experimentado serviços semelhantes, mas não pensava que pudesse ser utilizado como estratégia principal de uma gravadora. O negócio é o seguinte, a banda grava o disco e o lança em mídia física, ou seja CD ou LP, mas também o disponibiliza on line, só que não deixa de ganhar por isso, quem paga por download é o seu Mecenas.
O Mecenas é uma figura que se tornou popular no período renascentista - período em torno do séc. XVII - que contratava um artista e incentivava financeiramente a sua produção. A Trama tem um time de primeira linha no seu catálogo, que vai de nomes já consagrados à vanguarda da música brasileira, só pra citar alguns: Móveis Coloniais de Acaju, Ed Motta, Cansei de ser Sexy, Tom Zé, Otto...
Sim, é um ideia muito interessante, mas será que essas empresas - que podem ser de setores que nada têm a ver com o entretenimento - apoiariam músicos que tenham mensagens políticas em suas obras? E aos artistas que tenham vida pessoal conturbada, será que vale a pena relacionar uma marca ao nome de Amy Winehouse por exemplo?
Há quem diga que a salvação da indústria fonográfica está na própria internet, em sites como o iTunes e Amazon, que vendem as músicas tanto em arquivos separados do álbum como os álbuns inteiros. O sistema de remuneração nesse caso favorece o artista se o compararmos à venda de disco físico, pois ao invés dos 10% ele fica com 14% do valor da venda, a Apple com 30% e a gravadora com 56%, pra variar não foi dessa vez que ele ganhou.
No início do ano me deparei com um artigo do João Marcello Bôscoli - sim, aquele, filho deles, irmão dela - que fala sobre a nova linha de atuação da gravadora que dirige, a Trama. Já havia experimentado serviços semelhantes, mas não pensava que pudesse ser utilizado como estratégia principal de uma gravadora. O negócio é o seguinte, a banda grava o disco e o lança em mídia física, ou seja CD ou LP, mas também o disponibiliza on line, só que não deixa de ganhar por isso, quem paga por download é o seu Mecenas.
O Mecenas é uma figura que se tornou popular no período renascentista - período em torno do séc. XVII - que contratava um artista e incentivava financeiramente a sua produção. A Trama tem um time de primeira linha no seu catálogo, que vai de nomes já consagrados à vanguarda da música brasileira, só pra citar alguns: Móveis Coloniais de Acaju, Ed Motta, Cansei de ser Sexy, Tom Zé, Otto...
Sim, é um ideia muito interessante, mas será que essas empresas - que podem ser de setores que nada têm a ver com o entretenimento - apoiariam músicos que tenham mensagens políticas em suas obras? E aos artistas que tenham vida pessoal conturbada, será que vale a pena relacionar uma marca ao nome de Amy Winehouse por exemplo?




0 choraram:
Postar um comentário