O cara não ganhou a Palma de Ouro em Cannes pelo trabalho de bobeira, por não ser muito parecido fisionomicamente com o Che, tratou de adquirir todos os trejeitos do revolucionário, artifício que deu certo pois não basta atuar baseado nas técnicas das cênicas, nesse tipo de filme se o ator não ficar no mínimo parecido com o homenageado dificilmente convencerá o público que aquela história é de fato sobre o fulano.
O que o filme deixa muito claro é o que para se fazer de fato uma revolução é necessário muito mais que idealismo, é necessário "ter aquilo roxo" - como diria Collor. Sempre têm uns livros que nos marcam demais, não digo sobre aqueles que a gente é capaz de lembrar do enredo em qualquer momento da vida, mas sim lembrar do que se tratava, quantos anos a gente tinha, qual era a época do ano etc, e o Diários de Motocicleta do então Ernesto Guevara foi um desses livros pra mim - a adaptação do Walter Salles também é imperdível - eu o li quando tinha 11 ou 12 anos e até hoje me lembro. O cara foi realmente muito macho ao conseguir o que ele conseguiu, nas suas condições de saúde e com a "tropa" de camponeses que tinha como meio de implementar uma verdadeira revolução capaz de mudar radicalmente a constituição política de um país.
A revolução em Cuba era necessária na época pois o país estava nas mãos de um presidente que se curvava às demandas de Washington e não repartia a terra improdutiva com a população, entretanto, se esqueceram do mais importante: quando chegar ao poder, passá-lo novamente ao povo. Mesmo que Fidel governasse Cuba por um tempo de forma tatalitária não haveria um mal muito grande, pois ele representava as necessidades dos cubanos e todos estavam de acordo que naquele momento não havia outra solução que não ele.
Cuba até que se sutentou como pôde quando ainda existia a União Soviética que comprava os seus produtos agrícolas, já que os EUA, que estão logo alí ao lado impuseram um embargo comercial ao país, no entanto com a queda do Bloco Comunista a ilha mergulhou em uma situação de miséria que é a causa de protestos de parte da população, que tem coragem de enfrentar o ditador-irmão - e consequentemente paga o preço de se opor a um regime que nunca experimentou a opinião controversa à sua - é a Generación Y que se vale de blogs e do Twitter para amplificar o que acontece na ilha exatamente como de fato acontece.
Encabeçados pela blogueira Yoani Sánchez o Portal Desde Cuba reuni alguns dos insatisfeitos com a atual situação do povo cubano. Tendo que enfrentar a dificuldade que é o atraso tecnológico no qual o país vive, esses verdadeiros heróis da resistência cubanda anti-ditadura encontra na internet uma maneira de revelar ao restante do mundo o que se esconde por detrás do regime da oligarquia Castro. Seria muito importante se os brasileiros tivessem contato com essas ideias, pois o nosso país atravessa momento histórico de prestígio frente à comunidade internacional, e temos um governo que simplesmente não se posiciona claramente sobre muitos assuntos que dizem respeito aos nossos vizinhos - próximos ou não - latino-americanos.
Existe uma tendência muito clara de alguns governos da América Latina voltarem com a moda dos anos 1960 e 1970 de colocar o povo sob a égide de regimes totalitaristas a anti-democráticos. Poucos sabem que o Zelaya, sim, aquele nosso ilustre hóspede em Tegucigalpa só foi deposto porque tentava mudar a Constituição de Honduras para se eleger mais vezes que o previamente decidido, o mesmo fez o Evo na Bolívia - acho muito boa aquela peruquinha dele - só que na Bolívia não houve uma resistência e ele faz o que faz com a nossa Petrobras, também faz o Correa no Equador que essa semana aprovou lei que restringe as atividades da imprensa, até na Argentina que tinha os panelaços da classe média e os temidos ruralistas como sendo os principais fiscais do Casal 20 Kirchner deixaram impor uma lei da mordaça na imprensa, e o Uribe, um grande aliado - ou servo? - dos EUA que exatamente por isso parecia ser um simpático à democracia aprovou um mecanismo legal que o permite ser reeleito mais vezes. Mas nenhum se compara ao Coronelzinho Bolivariano Hugo Chávez, que com a sua revolução - que acontece do poder para o povo - já levava a Venezuela a um caos no estoque de alimentos, acabou com a liberdade de expressão, desapropria empresas dos por eles ditos "imperialistas" e tem o principal sintoma da falta de educação e trabalho de um povo: a violência que está em níveis absurdos.
Só escrevi esse texto porque assim como discordo do Lula quando disse que não temos que crucificar o Sarney em respeito à sua biografia por todas as maracutaias que há indícios que ele tenha cometido, discordo que o povo cubano - ou qualquer outro - tenha que viver sem o seu direito de ir e vir, de expressar suas ideias e viver livremente por causa de um líder que como seu corpo tem ideias frágeis e ultrapassadas. Me tornei fã e admirador de Yoani Sánchez que mesmo sofrendo repressão, tendo a sua vida vigiada e permanente risco da sua integridade física continua bravamente em luta por sua causa, que com certeza será realidade, pois no mundo em que vivemos a anti-democracia não tem mais espaço. O que resta é nós, que ainda podemos escolher e tendo o livre direito de votar em quem achamos que melhor representa as nossas necessidades, o façamos com consciência, pois o poder atrai, e tirá-los de lá é que são elas!




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